Salário Flex: Reforma Trabalhista vem aí

Uma das leis econômicas mais conhecidas é a Lei da Oferta e da Demanda. A síntese é que quanto mais gente estiver vendendo alguma coisa (oferta), a tendência é de que o preço do bem ou do serviço caia. E um dos motivos para isso acontecer é o fato de existir concorrência na maioria dos mercados: em tese, quem praticar o menor preço venderá primeiro. Por outro lado, quando um produto é lançado, ou está em falta no mercado, a tendência é que o preço suba, pois a concorrência é menor e os consumidores, para adquirir aquele bem, vão se dispor a pagar mais por ele.

E essa lógica se aplica ao mercado de trabalho? Mais ou menos.

Antes de eu te contar se essa lógica se aplica ao mercado de trabalho, eu vou te contar a minha experiência no relacionamento com empresas.

Entre 2012 até meados de 2015, o Brasil vivia no chamado pleno emprego. Isso quer dizer que havia ofertas de trabalho em abundância e isso fazia com que as empresas disputassem os trabalhadores, oferecendo salários e benefícios cada vez maiores.

Eu me recordo de conversar com empresários no Rio Grande do Sul, São Paulo, Distrito Federal e Goiás e eles eram unânimes em dizer que a maior dor de cabeça de suas empresas era a escassez de trabalhadores. Muitos me disseram que apesar de estar pagando acima do piso da categoria, a rotatividade era muito grande: quando o trabalhador aprendia o serviço, arrumava uma oportunidade melhor e pedia demissão.

Acontece que a partir de 2015, com os desdobramentos da crise e a paralisia da economia, o ciclo se inverteu. Muitas empresas entenderam que precisavam cortar custos e ajustar-se a uma nova realidade, na qual a demanda por seus bens e serviços seria menor. E, inexoravelmente, a redução de custos inclui a redução de postos de trabalho, situação que vem sendo verificada nestes últimos anos.

Voltando à Lei da Oferta e da Demanda, a quantidade de trabalhadores disponíveis aumentou muito (oferta) e o interesse das empresas em contratar (demanda) diminuiu duas vezes mais, pois além de não estarem contratando, elas estão demitindo.

Logo, é de se esperar que o preço do trabalho seja reduzido, certo?

Sim e não.

A legislação trabalhista impede a redução de salário de quem já está trabalhando. Essa é uma forma de proteção para o trabalhador. Por outro lado, a empresa tem a opção de demitir o trabalhador e contratar outro, disposto a trabalhar por um salário menor.

Nesta situação a escolha da empresa ocorre pela avaliação do custo x benefício. Ao demitir o trabalhador ativo, ela incorrerá em algumas indenizações que devem ser rapidamente compensadas pela economia no salário do novo contratado. Por outro lado, ela também terá que investir recursos no treinamento e na adaptação deste novo empregado, um custo que nem sempre é mensurável.

Sempre que aparece uma crise, o discurso da necessidade de reformas ressurge com força. No caso da reforma trabalhista, a terceirização do trabalho e a flexibilização da CLT são temas recorrentes e que vêm ganhando força.

E dentre os assuntos pertinentes à flexibilização da CLT está justamente a negociação salarial, pauta que deve ser seguida de grandes debates e discussões acaloradas.

Os defensores da redução de salário durante a vigência do contrato de trabalho argumentam que isso é uma forma de preservar empregos, pois as empresas não precisarão mais demitir o trabalhador para contratar outro ganhando menos. Sustentam ainda, que serão criadas novas vagas, pois os “altos salários” impedem que as empresas contratem mais.

Já os contrários à flexibilização garantem que as condições de trabalho vão se deteriorar, não haverá criação de novas vagas e que reduzir o salário do trabalhador durante o contrato de trabalho só aumenta a exploração e tem como objetivo central garantir a manutenção dos altos lucros das empresas.

Ao analisar os dois pontos de vista é possível perceber inconsistências.

Reduzir o salário pode preservar o emprego de quem já está trabalhando, mas ao mesmo tempo pode ser uma forma de as empresas se aproveitarem para transferir o custo para o trabalhador. Por outro lado, impedir a redução do salário é uma garantia para o trabalhador, mas resulta no movimento de substituição de empregados “mais caros” por “mais baratos”.

Eu sinceramente acredito que devem existir formas efetivas de fazer uma reforma que torne o sistema mais justo, sem prejudicar os trabalhadores e garantindo competitividade para as empresas. Talvez alguns direitos tenham que ser cortados para outros serem preservados. Talvez seja pensado e criado algum sistema de compensação, instituindo uma remuneração variável, que poderá mais que compensar uma eventual redução.

Como se diz na minha terra, isso ainda vai dar muito pano pra manga.

Mas o fato é que independente de ter ou não reforma trabalhista, você deve ficar atento e constantemente medir o seu valor dentro da empresa. Se você for visto apenas como um custo, poderá ser o próximo a ser substituído, ou seguirá em dificuldades para ser contratado. Mas se você passar uma imagem que contribui positivamente para o resultado da organização, você se torna um profissional valioso e desejado. Fique esperto, são 12,5 milhões de concorrentes disputando a mesma vaga que você, ou prontos para substituí-lo. Pensa nisso.

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